Se você não estava em um confinamento no estilo BBB, sem internet, TV e afins, provavelmente está sabendo que o novo Coronavírus está se espalhando pelo mundo todo e que, nesta última terça (24), o Excelentíssimo Presidente da República Jair Bolsonaro fez um pronunciamento, um tanto quanto polêmico, pra não falar outra coisa.

Juro que vou tentar ser o mais apartidário possível. E, antes que você me xingue, eu não estou contra o Governo, o país e etc. Eu realmente creio que este Governo (apesar deste presidente atabalhoado) está fazendo algumas coisas boas.

Precisamos aplaudir pela escolha do Ministro da Saúde, Mandetta, que realmente está desempenhando um excelente papel no combate ao vírus (mais uma vez, apesar do presidente atrapalhar de vez em quando).

Tentarei ser breve, direto e me embasar em fatos concretos e verídicos. Então, vamos lá.

Caso ainda não tenha visto o pronunciamento, aqui está:

A seguir vou citar alguns trechos do pronunciamento e mostrar como Bolsonaro está completamente enganado em suas afirmações inconsequentes.

Se você tiver muita preguiça de ler tudo, vou deixar no fim do artigo alguns vídeos e informações bem resumidas. Assim, você poderá entender de forma simples e rápida como as declarações do Bolsonaro estão completamente equivocadas.

 

A mídia espalhou uma sensação de pavor usando como carro-chefe as mortes na Itália um país com grande número de idosos e com clima muito diferente do nosso.

A Itália é um dos episódios mais impactantes desta novela. Os casos comprovados e números de mortes aumentam drasticamente. Chegaram ao ponto, inclusive, de ter tantos casos graves ao mesmo tempo, que faltavam leitos nos hospitais, as mortes aumentavam e, assim, o necrotério de Bérgamo ficou completamente lotado! Não havia mais lugar para enterrar os falecidos recentemente.

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Os motivos que levaram a este caos são variados. Você pode entender um pouco melhor neste excelente artigo. Um dos principais: desencontro de informações entre governos estaduais e nacional. Assim, demoraram para tomar as primeiras medidas, isolar os primeiros casos e quando foram efetivamente confirmar os primeiros infectados, já haviam outros milhares que estavam espalhando o vírus sem saber, sem nenhum tipo de contenção.

Realmente a Itália tem um grande número de idosos. Mas o Brasil também tem. O Japão, que também está sendo afetado, tem uma população grande de idosos e lá a pandemia está sendo contida.

Uma das regiões onde mais morreram idosos foi a Lombardia. No entanto, a porcentagem deles nessa região é menor que em outras áreas e, ainda assim, nestas outras regiões o número de mortos foi menor. Como isso é explicado?

Simples: o sistema de saúde dessa parte da Itália é fraco e ineficiente e, por isso, a Lombardia detém o recorde de óbitos e acabou deixando muitos velhinhos sem tratamento, esperando a morte.

Não é questão de frio ou ter mais ou menos velhos. É questão de ter um sistema de saúde fraco e sobrecarregá-lo rapidamente, criando caos.

O que a mídia fez foi seu papel: informar. Vendo a solução se agravando em toda Europa, com países de primeiro mundo tendo que fazer isolamento completo, o que os veículos de comunicação fizeram foi essencial: prepararam a população brasileira para o que estava por vir.

Essa reportagem mostra um pouco do que aconteceu na Itália. Você decide se é histeria ou não.

 

Autoridades municipais e estaduais devem abandonar a ideia do confinamento em massa, fechamento dos comércios, etc.

Para evitar que um vírus se espalhe nós temos três opções: vacinação, remédios eficientes ou isolamento dos infectados.

Simples. Uma coisa básica que se aprende na escola.

Até o momento não temos nenhuma vacina disponível para tratar o Covid-19.

Alguns remédios existentes estão se mostrando eficientes. Porém, não há nada comprovado. Provavelmente um remédio deve estar disponível nos próximos meses. Mas até que eles cheguem a nós pode demorar ainda mais. Enquanto isso, diversas pessoas continuarão morrendo.

Dessa forma o isolamento, o distanciamento social e a quarentena (em casos extremos) é a melhor solução.

Pense bem: Itália (ainda que tardiamente), França, Alemanha, Reino Unido, todos estes países, considerados os mais avançados, adotaram medidas restritivas. A Itália foi obrigada a fazer um lockdown completo depois do sistema de saúde colapsar, na última tentativa para conter o vírus.

As medidas que estão sendo tomadas pelos governos estaduais estão corretas! Cito e parabenizo o governo do meu estado, Santa Catarina, um dos primeiros a entender a gravidade da situação e decretar isolamento total e manutenção apenas de atividades essenciais. Espera-se que estas medidas achatem a curva de crescimento do vírus e, dessa forma, o sistema de saúde não entra em colapso.

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O vídeo a seguir é excelente e explica um pouco melhor toda essa questão da transmissibilidade do novo Coronavírus e como é importante ficar em isolamento.

Ah, e o mais importante: quem fala é Átila Iamarino, Biólogo, Pesquisador, um dos grandes divulgadores de ciência do Youtube e, ao contrário de certas pessoas que falam coisas sem nenhum embasamento, nosso querido Átila tem doutorado em virologia. Talvez, mas só talvez, sem querer ser tendencioso, acredito que ele é um milhão de vezes mais confiável pra falar sobre doenças contagiosas do que qualquer estadista por aí.

 

O grupo de risco é de pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas?

Essa talvez seja a declaração mais estapafúrdia da história. Por que impedir o vírus de circular se quem vai morrer são os velhos? Deixa o vírus circular e os velhos que se virem, não é mesmo?

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Nosso presidente simplesmente está aceitando um genocídio. Apenas isso!

Ele ignora completamente que o vírus se transmite principalmente através dos mais jovens, justamente aqueles que não apresentarão nenhum sintoma.

Ou seja, jovens irão à escola, vão contrair o vírus, espalhar em suas casas entre seus pais, amigos, avós e então inúmeras pessoas ficarão doentes em um curto espaço de tempo.

Foi o que aconteceu na Itália, está acontecendo no Irã, Espanha e começa a acontecer no Brasil e Estados Unidos.

Nós vivemos no mundo da informação. É só olhar para os dados e notícias de outros lugares do mundo e entender que a medida mais efetiva para impedir que pessoas morram é o isolamento, o mais rápido possível.

Os casos letais são raros. Bolsonaro, por exemplo, cita que se fosse infectado só desenvolveria uma “gripezinha”.

Agora vou concordar com o presida. A letalidade do vírus é baixa se comparada a outros vírus: de 1 a 5% apenas. Outros vírus matam muito mais gente no período de um ano.

No entanto, o ponto aqui não é a letalidade do Covid-19 e, sim, sua taxa de transmissão. Ele é transmitido facilmente (ar, toque, secreções), alguns casos nem apresenta sintomas e, assim, pode se espalhar por mais pessoas e muitas delas nunca saberão que estiveram com o vírus.

Mas como ele se espalha fácil, rápido e muita gente nem sabe que transmitiu, ele tem o poder de crescer exponencialmente. Dessa forma, ainda que poucas pessoas precisem de internação, serão (no total) várias ao mesmo tempo, sobrecarregando o sistema de saúde. Mais uma vez a Itália é o principal exemplo.

Mas só pra mudar o disco, vamos falar da França, que em dez dias saltou de apenas 50 casos para mais de 1 mil.

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Conclusão

Os pontos de incoerência e de total falta de respeito, empatia e conhecimento de causa durante o pronunciamento são vários.

Até consigo fazer uma força extrema para pensar que Bolsoneta sabe da gravidade do caso, mas que queria apenas tranquilizar a nação. Porém, não é assim que se faz, né meu querido! Não é dizendo pra sair do isolamento e ir todo mundo pra rua que a gente contém a transmissão de um vírus!

Aprende com a Merkel, cara!

TODAS as grandes potencias do mundo levaram o vírus a sério e pararam suas atividades. Até a China isolou uma região inteira pra conter o Coronavírus! Mesmo assim, você ainda acha que o Brasil precisa pensar na parte econômica e que ele não pode parar?

Mais pessoas vão morrer pela crise econômica? O cenário será ainda pior se a gente parar?

Bom, saiba que não há mais opção. A crise acontecerá de qualquer jeito.

No entanto, se a gente parar agora e conter o vírus e o seu pico, é possível que o sistema de saúde aguente a demanda de pessoas infectadas, como foi no caso da H1N1, por exemplo. Houveram mortes, sim. Mas foi possível tratar a maioria sem colapsar o sistema público de saúde.

Parando agora, voltamos ao normal mais rápido e com menos efeitos colaterais. Ao largar de mão, o vírus se espalha rápido, o contágio e os casos graves aumentam exponencialmente, faltarão leitos nas UTIs para todo mundo (inclusive quem não estiver com Covid-19), morrerão muitas pessoas ao mesmo tempo e provavelmente não teremos nem a oportunidade de fazer um enterro decente para nossos entes queridos.

Isso aconteceu na Itália! Você realmente acha que aqui não aconteceria o mesmo? Estaria disposto a ver seus pais, tios, avós, esposa(o), até filhos (se alguma complicação se desenvolver), definhando até a morte?

Quer correr esse risco só pra defender a ideia de que a economia não pode parar?

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Resumão curto e grosso

Você prefere confiar no Bolsonaro, especialista em coisa nenhuma, ou em médicos e diversos estudiosos do mundo todo que estão fazendo apelos e mostrando dados concretos de como o vírus se comporta, se espalha e como pode gerar um caos em nosso sistema de saúde?

Você escolhe em quem confiar.

Deixo a seguir, diversos vídeos para que você se alimente com informação de qualidade e de fontes confiáveis.

Atualização: Este vídeo do programa Roda Viva com Átila Iamarino responde a todas as perguntas de forma muito inteligente. Dê uma olhada!

 

Atualizações e demais questionamentos

Aqui colocarei algumas atualizações e respostas a questionamentos que forem surgindo a medida que pessoas vão lendo e comentando comigo sobre o assunto, a fim de deixar este artigo cada vez mais completo.

 

Afirmação: a H1N1 mata tanto quanto e ninguém fala nada

Simples! Tratam-se de dois vírus diferentes. H1N1 é do grupo da Influenza e o Covid-19 dos Coronavírus. Ambos tem taxa de transmissão e de óbitos bem distinta e, por isso, o seu enfrentamento deve ser distinto.

Este texto explica de forma simples e prática essa diferença entre os dois.

Resumidamente: o Coronavírus se transmite para mais pessoas e tem taxa de mortalidade (até aqui) maior que o H1N1. O Novo Coronavírus demora a apresentar sintomas. Por isso a pessoa pensa estar saudável e vai passando este vírus pra um número cada vez maior. Enquanto o H1N1 traz sintomas em poucos dias e já derruba a pessoa, deixando de cama, evitando que ela possa passar para mais pessoas.

É por isso que o novo Coronavírus é preocupante. Ele pode alcançar um pico de pessoas infectadas e apresentando sintomas graves em pouco tempo. Isso pode colapsar o sistema de saúde e gerar muitos mortos, tanto pelo vírus, quanto pelos efeitos colaterais de uma crise deste tipo.

 

Comentário: Então você quer que o Brasil pare? Bolsonaro está certo. Se o país parar mais gente vai morrer de fome.

Isso não tem nada a ver com querer que o Brasil pare ou não. A questão é que, como já vimos em outros países, a melhor solução foi isolar as pessoas e diminuir o contato.

O principal ponto todo é que o presidente deslegitimou a atitude de alguns governantes e incentivou que todos não dessem importância ao vírus.

A partir do momento que a gente se isola por um pequeno perído e desacelera o espalhamento, tudo volta a funcionar normalmente. Ao agir agora, ainda há a chance de não precisar manter tudo fechado por tanto tempo. Mas se o vírus se descontrolar, as medidas mais restritivas deverão ser impostas, como aconteceu na Itália, França, Espanha e outros países.

Por isso, neste momento é importante entender que é necessário restringir a mobilidade e o contato, principalmente nas zonas de foco, sem deixar que o vírus se alastre. Japão e China foram ótimos exemplos disso. A China conseguiu isolar uma região inteira, diminuindo muito a transmissão e mitigando os danos (que mesmo assim ainda foram muitos).

Agira rápido e de forma precisa diminui os danos na economia. Ao ver desencontro de informações e brigas entre os poderes, aí sim o rombo aumenta!

Já estamos enfrentando a crise. Não tem como fugir. Agora vamos escolher se a crise terá mortes em massa em pouco tempo ou não. Se vamos agir logo pra ter uma crise mais branda ou não.

 

Comentário: Eu estou em casa, mas vejo um monte de gente na rua, desrespeitando o isolamento. Do que adianta?

O certo é o certo, mesmo que todo mundo faça errado. Faz o teu! Faz tua parte! E conscientiza o máximo de pessoas a fazer o mesmo. Se pelo menos tu ficar em casa, evita de pegar o vírus na rua e trazer pra tua casa e passar para os teus familiares, não é mesmo?

Então, faz a tua parte. Simples assim.

 

Comentário: As projeções de que milhões de pessoas morrerão são irreais.

O vídeo abaixo é de mais um cientista famoso no Youtube, um dos primeiros canais a fazer divulgação científica na Internet: Pirula. Ele mostra diversas projeções sobre quantas pessoas o vírus poderá infectar e levar a óbito no Brasil.

 

Comentário: Os governos estaduais estão errados em fazer isolamento e ir contra a ordem presidencial

Até o momento, parece que o que está ajudando a desacelerar o crescimento dos casos no Brasil é justamente a atitude de alguns governos estaduais e prefeituras.

Novos estudos demonstram que algumas medidas de distanciamento social adotadas (mesmo a contragosto do presidente) parecem estar surtindo efeito. Confira no vídeo mais dados e projeções.

 

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Guilherme Santos: Formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduando em Mídias Sociais e Marketing Digital, atua na área de comunicação desde 2007.

É especialista em criação de conteúdo e marketing digital. Apaixonado pela escrita, trabalha como redator freelancer para diversos clientes em todo o Brasil. Faz parte do time de redatores da Contentools, escreve uma coluna semanal no Jornal de Laguna, além de públicar artigos em seu blog, LinkedIn e em portais parceiros que divulgam seus conteúdos.

Também vem ajudando pessoas e empresas a desenvolverem seus perfis no LinkedIn através de consultoria, gerenciamento de publicações, treinamentos e palestras.

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