Você pode ser o pica das galáxias e fazer o seu trabalho magnificamente, mas se for um pé no saco não vai conseguir ir muito longe em uma empresa. Bom, na verdade talvez você até consiga ir longe. Mas será sempre odiado por seus colegas. Ninguém vai te convidar pro happy hour, pode ter certeza!

Aí, você, típico “chato”, vai falar: e daí? Eu não quero ser convidado pra happy hour, nem festinha, nem quero ser amigo de ninguém. Quero apenas fazer meu trabalho, ganhar meu dinheiro e ir embora. Se falou isso, pronto. Já sabemos que você é o chato da empresa.

Mas o que você não sabe é que está errado nesse seu pensamento. Afinal, trabalho não é apenas fazer algo, ser remunerado e deu. É uma parte da sua vida em sociedade. A maior parte da sua vida, diga-se de passagem. Muitas vezes passamos mais tempo no trabalho, convivendo com nossos colegas, do que em nossas próprias casas. E como seres sociais que somos, precisamos manter as boas relações interpessoais.

Por isso, pra salvar sua vida social, pra te fazer ser uma pessoa melhor, mais interessante, querida e amada por todos, apresento este incrível guia fácil para não ser o chato do trabalho! A partir de hoje você vai poder mudar suas atitudes, ser uma pessoa melhor, ser mais querido e, de quebra, preservar seu emprego. A menos que você seja o chefe e o chato ao mesmo tempo. Aí ferrou!

 

O chato é igual formiga: está em todo lugar

De onde você menos espera, ele surge. Está em todo lugar e não importa o que faça, parece que nunca desaparece. Este é o chato formiga.

Este tipo de pessoa pode trabalhar no setor administrativo, mas vive passeando pela expedição, pelo marketing, RH, cozinha, qualquer lugar. E nunca para trabalhar ou fazer algo útil. O objetivo é apenas passear, conversar, saber da vida alheia, levar informações nada relevantes.

Ele geralmente parece ser super simpático, conversador, alguém carismático. Mas não é bem assim. Como diz o velho ditado: você tem duas orelhas e uma boca, que é pra ouvir mais e falar menos. Logo, aquele que fala demais de si, esquece de ouvir os outros. Quem está muito preocupado em puxar papo, conversar sobre seus problemas, dificuldades, realizações ou compromissos, acaba achando que é o centro do universo e se esquece de ter empatia pelos colegas. Esse é aquele chato que todo mundo fica tentando cortar na hora do papo, mas que, herculeamente, consegue continuar falando e sendo inconveniente.

 

O chato é o rei do feedback… na hora errada

Não importa se você perguntou. Não importa se ele entende do assunto. Não importa nem mesmo se o assunto é sigiloso e ele não deveria saber. O chato adora dar o seu feedback sobre tudo!

Feedback é bom e eu gosto. Mas algumas coisas não precisam de comentários. O chato geralmente dá a sua opinião em momentos errados. Algumas vezes você nem terminou o trabalho, está apenas em uma fase inicial e ele já vem querendo meter o bedelho, fazendo uma tese sobre como você está errado e de como tudo deveria ser feito. E, muitas vezes, duas coisas acontecem: você já tinha tudo que ele falou planejado para um momento oportuno. Ou tudo que ele falou já foi pensado, analisado e descartado. Esse é o problema do chato. O segurança que fica na portinha entre o cérebro e a boca se aposentou. Agora aquela porta sempre fica aberta e não há mais controle entre o pensar e o falar.

E ainda há outra vertente. Ele pode pedir opiniões demais, já que está sempre inseguro sobre o que faz. Quer sempre uma segunda opinião, quer mostrar o seu trabalho pra todos da empresa antes de levar pro chefe. Parece estar colhendo assinatura pra um abaixo assinado, pra no fim do dia mostrar: Olha, chefe, já falei com a firma toda. Todo mundo gostou da minha ideia. Vamos fazer!?

Não estranhe se você estiver no banheiro e ele bater na porta: oi? Tá ocupado? Olha só, queria te mostrar um coisa, abre aí.

 

O chato é fodão demais. Ele quer fazer o trabalho de todos

Não importa se você planejou, pensou e criou um cronograma pra fazer o que precisa ser feito. Ele vai se meter e vai querer que seja feito agora. E também pouco importa se não está no orçamento, tem que dar um jeito de fazer. O chato quer ser sempre imediatista. Como o segurança da porta entre o cérebro e a boca não tá mais lá, não existe mais sala de espera, nem senha pra fazer uma opinião esperar até encontrar o melhor horário pra ver a luz do dia. O chato acabou com a burocratização no setor de pensamento.

Dessa forma ele consegue chegar até aqui fazendo um combo de inconveniência: ele está em todo o lugar, quer se meter em tudo e, se der mole, quer fazer tudo. Só pra depois poder mostrar como ele é o fodão master!

E geralmente não é nem pra se achar. Ele realmente quer dar o seu melhor e mostrar isso pro mundo. Mas acaba exagerando na forma de fazê-lo. Acaba passando por cima das outras pessoas. Se torna um problema, mesmo pensando ser a solução.

 

Pro chato a vida é de extremos: ou é uma piada ou uma tragédia

Dependendo do estilo, o chato pode seguir uma dessas duas vertentes, ou em casos mais graves, alternar entre as duas. Ou ele vive reclamando de tudo, sendo pessimista, apontando as falhas, falando mal das coisas e das pessoas. Ou ele vira o tiozão do churrasco e se torna o Ari Toledo da repartição. Tudo vira motivo pra piada. Ele tá sempre rindo, fazendo comentários ácidos e sempre se acha o amigão de todo mundo.

Ambas as situações acabam afastando a todos que o rodeiam. O chato se torna um flato ambulante: quando ele chega todo mundo corre, se esconde, finge de morto.

 

Chatismo tem cura!

Mas, ainda que ele pareça uma pessoa sem conserto, um caso perdido, o chatismo tem cura. Muitas vezes esse comportamento vem da imaturidade. O chato nunca passou muito tempo em algum emprego, é novo ou inexperiente e, por isso, não aprendeu a “manha” da convivência profissional.

Ele pode ter problemas de aceitação e carência e trazer isso do seu círculo familiar, por isso busca no emprego uma forma de ser bem quisto. A família ele dificilmente vai conseguir mudar, mas no trabalho ele pode encontrar novos amigos, algo que ele faça e que lhe traga felicidade e lhe faça sentir importante.

O chato só precisa de uma dose de realidade e conversa franca. Ele é quase como uma criança: precisa de limites. E alguém precisa fazer o papel de paizão e ir lá dizer o que ele não pode fazer.

Nos casos em que a boa e velha conversa não funciona, é preciso fazer o chato entender que ele talvez precise de tratamento. Cursos, treinamentos, um coaching, quem sabe até psicanálise. Por trás daquele chato pode se esconder alguém que realmente precisa de uma ajuda pra melhorar sua relação interpessoal. Lá no fundo pode ter um profissional bom pra cacete que está se afundando cada vez mais no limbo do chatismo.

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Guilherme Santos: Formado em Publicidade e Propaganda, atua na área de comunicação desde 2007 e escreve uma coluna semanal no Jornal de Lagunadesde 2014. Fundou, juntamente com um sócio, em 2015 a startup Crush Design, especializada na criação e venda de móveis em formato digital. Também tem uma empresa de marketing e publicidade, que hoje se chama Gui Santos PRO, e faz criações de artes gráficas, redação, social media e criação de conteúdo para vários clientes.

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