Se você não estava em uma caverna hibernando, então provavelmente está ciente do crime ambiental ocorrido em Brumadinho (MG), onde uma barragem da Vale se rompeu e deixou cidades e pessoas embaixo da lama.

© Foto: Douglas Magno/AFP/Getty

A cobertura da mídia está sendo ampla e a cada dia surgem novidades. Portanto, este não é exatamente o cerne da questão que tratarei aqui. Mas, sim, aproveitar este acontecimento para analisar como a publicidade, a propaganda e o marketing devem se posicionar quando tragédias desse nível acontecem.

Trabalho e estudo publicidade, propaganda e marketing há mais de 10 anos. Por isso, acredito que tenho condições de dar algumas dicas e compartilhar visões, insights e mostrar bons e maus exemplos vistos ao longo desse tempo.
E, por falar em mal exemplo…

Jendayi Cosméticos e seu ensaio-protesto “Brumadinho Clama”

Ensaio Jendayi Cosmésticos (Foto: Jorge Beirigo/Divulgação)

Essa imagem, com uma família coberta de lama, faz parte da campanha lançada nesta semana pela Jendayi Cosméticos, que quis fazer este ensaio em forma de protesto. No entanto, como já era de imaginar, a ideia não foi bem recebida por grande parte das pessoas e as reclamações tomaram conta da internet.

É essencial que empresas e organizações se manifestem e defendam causas de interesse público. Porém, há uma linha tênue que separa o real apoio e a comoção sincera do oportunismo barato. Esse é um bom exemplo da segunda opção.

De péssimos exemplos a publicidade está cheia!

Não pense que esse tipo de campanha de mau gosto é novidade. Praticamente em todo desastre ou evento comovente acontece algum mau exemplo. Muitas vezes um descuido, um post em uma rede social que estava programado e não foi revisado pode gerar desconforto.

Um caso recente aconteceu durante a tragédia envolvendo o voo da Chapecoense. Na época, o site Catraca Livre aproveitou o assunto para divulgar em suas redes sociais duas matérias inconvenientes para o momento.

Uma mostrava os jogadores da Chape e o título: “10 fotos de pessoas em seu último dia de vida”. Outro post usava a tragédia para falar sobre o medo de voar e demais mitos envolvendo a aviação. Ambos divulgados em momentos de extrema comoção e tristeza.

Um dos primeiros péssimos exemplos de publicidade usada em momento e tom errado remete ao tempo que o mercado de propaganda era movido à carvão. 

Em 24 de fevereiro de 1972, o Edifício Andraus foi palco de um incêndio que deixou 16 mortos e 330 feridos. A Federação Nacional das Empresas e o Instituto de Resseguros do Brasil acharam que o timing era bom para vender seguros. 

Afinal, o que o marketing deve fazer em momentos de tragédias?

O que um empresário, marketeiro, publicitário deve fazer em momentos sensíveis, quando tragédias como a de Brumadinho acontecem?

A resposta curta e rápida é: nada!

Nesses momentos de tristeza, o melhor é ficar quieto e não brincar com o sentimento alheio. É importante evitar mensagens que usem ou citem o ocorrido de forma sensacionalista, pejorativa ou sarcástica. Ou seja: não faça como o Catraca Livre que fala sobre desastres aéreos justamente na época em que ocorreu um dos maiores da história.

Mesmo quando o intuito é ajudar, o cuidado deve ser dobrado. Um anúncio ou postagem feito na hora errada, ou utilizando uma linguagem equivocada, pode soar como mero oportunismo.

Eu vou mais além e digo que, em momentos como este, não devemos fazer nenhum tipo de publicidade em cima desse tema. Ajude, apoie, mostre o descontentamento, mas não alardeie isso como forma de gerar retorno para a marca. Se quiser ajudar, ajude de coração e não pensando em melhorar sua imagem.

Se o seu primeiro pensamento ao criar uma ação para ajudar as vítimas da tragédia é “o que minha empresa pode ganhar com isso”, cara, você já começou da pior maneira possível.

Em momentos assim devemos pensar no outro, nas vítimas, em quem está sofrendo. Pelo menos nesse momento de tristeza, respeite o próximo e pare de ser tão egoísta.

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Guilherme Santos: Formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduando em Mídias Sociais e Marketing Digital, atua na área de comunicação desde 2007.

É especialista em criação de conteúdo e marketing digital. Apaixonado pela escrita, trabalha como redator freelancer para diversos clientes em todo o Brasil. Faz parte do time de redatores da Contentools, escreve uma coluna semanal no Jornal de Laguna, além de públicar artigos em seu blog, LinkedIn e em portais parceiros que divulgam seus conteúdos.

Também vem ajudando pessoas e empresas a desenvolverem seus perfis no LinkedIn através de consultoria, gerenciamento de publicações, treinamentos e palestras.

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